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Prova prático-oral

Prova prático-oral do PSCPP: o planejamento da manobra e o que a banca avalia

Planejamento da faina com rebocadores, exposição em inglês e execução no simulador: o que a NORMAM-311 fixa e o que o edital de 2012 mostrou.

Neste artigo (8 seções)

A prova prático-oral é a única etapa do PSCPP em que o candidato faz o trabalho de prático em vez de responder sobre ele. É também a que menos material existe, por um motivo simples: quem pode descrevê-la com propriedade são os que a fizeram, e a maioria deles está a bordo, não escrevendo. Este artigo junta o que a NORMAM-311/DPC (edição 2026) fixa, o que o Anexo IV do edital de 2012 detalhou e o que, de tudo isso, você deveria estar treinando desde já.

A ressalva de sempre: o formato descrito no edital de 2012 é histórico. O próximo edital pode mudar cenário, tempos e pontuação. O que a norma garante está marcado como tal.

O que a norma fixa

O item 2.16 da NORMAM-311 é curto:

  • Só faz a prova quem não foi eliminado na segunda etapa (documentos, perícia e teste físico).
  • Ela "versará sobre os assuntos do conteúdo programático relacionados no anexo 2-A", que o edital pode alterar.
  • "O idioma a ser usado durante a realização da prova prático-oral será o Inglês."
  • Acontece "preferencialmente" no Centro de Simuladores do CIAGA, no Rio de Janeiro, "podendo ser efetuada em outros simuladores, de entidades públicas ou privadas, assim como em embarcação(ões) ou, em último caso, em instalações outras preparadas para tal fim".
  • A nota mínima para não ser eliminado "o Edital estabelecerá".

Ela é eliminatória e classificatória (item 2.6.1), e a nota entra na média final junto com a escrita e os títulos (item 2.17.1). E há um item fora do 2.16 que quase ninguém lê: o 2.7.3, segundo o qual as edições da bibliografia mencionadas no edital "serão consideradas, para efeito das provas escrita e prático-oral". A bibliografia da prático-oral é a mesma da escrita.

O que o edital de 2012 mostrou: três etapas em pouco mais de uma hora e meia

O Anexo IV daquele edital descreveu a prova como "a realização de uma faina de praticagem" no cenário das cartas náuticas 1511 (Barra do Rio de Janeiro), 1512 (Porto do Rio de Janeiro) e 1515 (Baía de Guanabara, Ilha do Mocanguê e Proximidades), em três etapas individuais, gravadas em áudio e vídeo:

Etapa 1, até 50 minutos: planejamento. "Preparação do planejamento completo de uma faina de praticagem com emprego de rebocadores (com passage planning) em uma sala do Centro de Simuladores, onde estará disponível todo o material necessário ao planejamento." O material listado: as três cartas, a carta 12.000 de símbolos e abreviaturas, Tábuas das Marés, Cartas de Correntes de Maré da Baía de Guanabara, Lista de Faróis, Lista de Auxílios-Rádio, Roteiro Costa Sul, Almanaque Náutico, as NPCP da Capitania do Rio, o Bridge Team Management do Nautical Institute, as Standard Marine Communication Phrases da IMO, o RIPEAM-72, o Atlas de Cartas Piloto, régua paralela, compasso, papel e lápis.

Etapa 2, até 15 minutos: exposição oral. "Exposição oral do planejamento realizado para o profissional que estiver fazendo o papel de comandante do navio, no ambiente do passadiço do simulador." É o master-pilot exchange, em inglês, diante de quem vai julgar se você faria aquilo num navio de verdade.

Etapa 3, até 30 minutos: execução. "Execução prática de parte da faina de praticagem planejada" no simulador de passadiço. "Antes do início, será informado ao candidato a posição em que se encontra o navio e seus rumo e velocidade, assim como entregue o pilot card; em seguida, o candidato deverá iniciar a execução da faina de praticagem, manobrando de forma a cumprir o contido no seu planejamento."

Antes da prova de cada dia havia uma apresentação dos equipamentos do passadiço do simulador para os candidatos. Celular, calculadora, tablet e qualquer material próprio eram proibidos; só se consultava o que estava na sala.

A convocação era em grupos de cinco, por ordem decrescente de nota na prova escrita (item 19.6), e a prova valia 20 pontos (item 19.12), sem recurso contra o resultado (item 19.13).

O que a banca avaliava

O mesmo Anexo IV listou os três eixos de avaliação, por uma banca de cinco avaliadores-relatores com quesitos "previamente estabelecidos e idênticos para todos os candidatos":

a) Ao conhecimento dos assuntos listados no Conteúdo Programático; b) À fluência oral na língua inglesa; e c) Ao comportamento emocional e ao desembaraço.

O terceiro eixo é o que separa essa prova de qualquer outra do processo. "Comportamento emocional e desembaraço" não está em livro. É como você reage quando o navio não responde como o plano previa, quando o "comandante" questiona sua decisão, quando o rebocador demora. A banca quer ver um prático, não um aluno.

O que isso exige da preparação

Se o formato se repetir, a prova prático-oral cobra quatro competências que a prova escrita não cobra, e nenhuma delas se improvisa em três meses, que é o intervalo previsto entre a escrita e os eventos complementares no cronograma tentativo da DPC.

1. Planejamento de faina com as publicações na mão. Cinquenta minutos para traçar a derrota na carta, calcular maré e corrente para o horário, escolher pontos de guinada e abortagem, dimensionar rebocadores e escrever o passage planning. Quem só estudou manobra em texto vai gastar metade do tempo procurando a tábua de marés. Quem treinou com as publicações reais da Baía de Guanabara, ou de qualquer porto com o mesmo conjunto de documentos, entra na sala sabendo onde cada dado está.

2. Master-pilot exchange em inglês, com vocabulário IMO. O edital de 2012 pedia "o correto emprego do vocabulário marítimo padrão recomendado pela IMO", as SMCP. Não é inglês de conversação; é inglês de passadiço: "I intend to...", "we will have two tugs, one forward, one aft", "abort point is...". Quinze minutos para expor um plano completo exigem estrutura, e estrutura se treina falando, com alguém no papel de comandante fazendo perguntas.

3. Execução no simulador. Trinta minutos manobrando com pilot card na mão, rumo e velocidade dados, cumprindo o próprio plano. Aqui aparece a diferença entre saber o que é squat e sentir que a velocidade está alta para aquela profundidade; entre saber a regra do RIPEAM e aplicá-la com um contato cruzando. Tempo de simulador antes da prova não é luxo; é a única forma de ensaiar a terceira etapa no formato em que ela acontece. Nem todo candidato tem acesso a um simulador de passadiço, e é por isso que o Pilots Nest está estruturando, para 2027, um módulo de treinamento em simulador voltado à prova prático-oral. Datas, formato e condições serão publicados quando o produto estiver definido; até lá, o que já existe no curso é o treino de planejamento de faina e de exposição em inglês, que são as duas etapas anteriores da mesma prova.

4. Controle emocional sob avaliação. Cinco avaliadores, câmera ligada, um "comandante" que pode discordar de você. Isso se treina expondo o plano em voz alta para práticos que vão apontar cada falha, repetidas vezes, até que a exposição saia sem hesitação.

Três erros que a estrutura da prova pune

Pela leitura do Anexo IV, três comportamentos custam caro:

  • Planejar sem abortagem. Um plano de faina sem ponto de abortagem e sem alternativa para falha de rebocador não é um plano; é uma intenção. A banca avalia "conhecimento dos assuntos do conteúdo programático", e planejamento de manobra com rebocadores é assunto do Anexo 2-A.
  • Expor em inglês o que não se consegue executar. As etapas 2 e 3 são a mesma faina. Prometer ao "comandante" uma aproximação a 6 nós e chegar a 9 no simulador é contradição gravada em vídeo.
  • Mudar o plano sem comunicar. Se as condições mudarem na execução, o que se espera de um prático é dizer o que vai fazer antes de fazer. Mudar em silêncio parece improviso, mesmo quando a decisão está certa.

O que não sabemos sobre a próxima prova

Para não repetir o erro que este artigo critica nos outros:

  • Se o cenário será de novo a Baía de Guanabara. A norma diz "preferencialmente" o CIAGA; o edital dirá.
  • Se serão três etapas com os mesmos tempos.
  • Quanto valerá a prova e qual será a nota de corte (item 2.16.5).
  • Se haverá apresentação prévia do simulador.
  • Quais publicações estarão na sala.

Tudo isso estava no Anexo IV de 2012 e vai estar no anexo equivalente do próximo edital. Até lá, treinar no formato de 2012 é a melhor aproximação disponível, e o que ele exige (planejamento com publicações, exposição em inglês, execução com pilot card) é o trabalho real de prático em qualquer porto.

Próximo passo

A prova prático-oral é o final de um processo de quatro etapas; se você ainda não tem clara a sequência, leia as quatro etapas do PSCPP. Se já está no meio da preparação e quer saber como está o seu planejamento de faina e o seu inglês de passadiço antes de qualquer banca, é exatamente para isso que existe a mentoria com práticos em atividade: duas sessões por mês para expor um plano, ser questionado e corrigir.

Fontes primárias

Os documentos citados neste artigo, no texto oficial:


Jean Félix é prático da ZP-12, aprovado no PSCPP de 2011, e Capitão de Fragata da reserva da Marinha do Brasil, doutor em Modelagem Oceanográfica e especialista em Hidrografia. Sócio-fundador e instrutor do Pilots Nest, ministra Manobra do Navio (Shiphandling), Navegação, Meteorologia e Legislação.

Fontes: NORMAM-311/DPC, edição 2026, itens 2.6, 2.7.3, 2.16 e 2.17; Edital PSCPP/2012, item 19 e Anexo IV, citado como referência histórica de formato. Cenário, tempos e pontuação da próxima prova só serão conhecidos com o edital. Revisado em 15/09/2026.

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