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As quatro etapas

As quatro etapas do PSCPP explicadas por quem passou

Prova escrita, documentos e exames, títulos e prova prático-oral: o que a NORMAM-311 fixa, o que elimina e o que só o edital define.

Neste artigo (9 seções)

O PSCPP tem quatro etapas, e a maioria dos candidatos estuda como se tivesse uma. A prova escrita é a que concentra a preparação porque é a primeira e a que mais elimina. Mas as outras três decidem a classificação final e, com ela, a Zona de Praticagem onde você vai passar a carreira. Este artigo percorre as quatro na ordem, com o que a NORMAM-311/DPC (edição 2026) já fixa, o que o edital de 2012 mostrou na prática e o que só o próximo edital vai dizer.

Uma regra de leitura antes de começar: onde eu cito "item 2.x", é a NORMAM-311. Onde cito "edital de 2012", é histórico, útil para entender o formato, mas sem garantia de repetição. O próximo edital será regido pela norma "que estiver em vigor por ocasião da publicação", como diz a Nota de Divulgação 01 da DPC.

A estrutura e o caráter de cada etapa

O item 2.6.1 da norma define:

  • 1ª etapa, prova escrita: eliminatória e classificatória.
  • 2ª etapa, apresentação de documentos, seleção psicofísica e teste de suficiência física: eliminatória.
  • 3ª etapa, prova de títulos: classificatória.
  • 4ª etapa, prova prático-oral: eliminatória e classificatória.

Traduzindo o vocabulário: "eliminatória" tira você do processo; "classificatória" muda a sua posição na lista. A segunda etapa não dá ponto nenhum: ou você passa, ou sai. A terceira não elimina ninguém: só soma. A primeira e a quarta fazem as duas coisas.

E um detalhe do item 2.6.4 que resolve uma dúvida frequente: o Programa de Qualificação do Praticante e o Exame de Habilitação para Prático "não integram o Processo Seletivo". O PSCPP termina na homologação. O que vem depois é outra fase, com outras regras.

1ª etapa: a prova escrita

O que cai. A prova "versará sobre os assuntos do conteúdo programático relacionados no anexo 2-A", que o edital pode acrescer, alterar ou atualizar (item 2.7.1). O Anexo 2-B traz a bibliografia sugerida, que "não limita nem esgota" os assuntos e serve "apenas como orientação" (item 2.7.2). Mas atenção ao item 2.7.3: "serão consideradas, para efeito das provas escrita e prático-oral, as edições mencionadas no Edital ao lado de cada item". Edição errada de um livro é risco real.

Inglês. A prova "poderá conter textos e/ou questões redigidos em português e/ou em inglês" (item 2.7.4). A justificativa está na própria norma: o inglês "é imprescindível para a prestação do Serviço de Praticagem".

O que elimina. O item 2.7.6 é a regra mais importante de todo o processo, e vale ler devagar. É eliminado quem obtiver:

a) grau inferior à metade do valor atribuído à prova; ou b) grau igual ou superior à metade do valor atribuído à prova, mas não se classificar entre o número de candidatos a serem convocados para a 2ª etapa.

Ou seja, tirar metade não garante nada. O edital fixa um número máximo de convocados para a segunda etapa (item 2.7.7), e só esses seguem. Na prática, a prova escrita é uma corrida por posição, não por nota mínima. Quem passa é quem está entre os N primeiros, e N só será conhecido no edital.

O que muda com a ordem. Os não eliminados formam a "classificação inicial", em ordem decrescente de nota (item 2.7.8). No edital de 2012, essa ordem definiu até a sequência em que os candidatos fizeram a prova prático-oral: "em grupos de cinco, listados por ordem decrescente do grau obtido na prova escrita" (item 19.6 do edital). A nota da escrita continua trabalhando por você depois dela.

2ª etapa: documentos, perícia médica e teste físico

Só os candidatos da classificação inicial são convocados (item 2.8.1). A etapa tem três fases, todas eliminatórias (item 2.8.2).

Apresentação de documentos (itens 2.9 a 2.12). Três conjuntos: dados cíveis e criminais, para verificar "idoneidade moral e bons antecedentes de conduta"; documentos que comprovam os requisitos do item 2.2 (idade, graduação, nível de aquaviário ou Mestre-Amador, obrigações militares e eleitorais); e os títulos, que são opcionais e serão avaliados na terceira etapa. Cabe ao Diretor de Portos e Costas decidir pela eliminação por idoneidade, "não cabendo recurso contra essa decisão" (item 2.10.3).

Seleção psicofísica (item 2.13). É uma perícia médica feita por Junta de Saúde da Marinha, "com base em procedimentos médico-periciais específicos e em exames de saúde complementares". A norma lista os exames complementares (item 2.13.7), os índices mínimos de visão e audição (item 2.13.9) e as condições de inaptidão (item 2.13.10; vale a leitura completa antes de decidir prestar) e acrescenta que implicam inaptidão "quaisquer outras condições que possam resultar em incapacidade laboral precoce ou remota". Quem for considerado inapto pode, em cinco dias úteis, pedir nova inspeção por junta de instância superior (item 2.13.3); dessa segunda não cabe recurso (item 2.13.4).

Teste de suficiência física (item 2.14). Só faz quem foi apto na perícia. Três provas, no mesmo dia, para candidatos de ambos os sexos:

  1. quatro exercícios de barra completos, sem interrupção e sem apoio;
  2. cinquenta metros de natação em até um minuto e trinta segundos, qualquer estilo;
  3. vinte minutos de flutuação ininterrupta, em água doce ou salgada.

Quem reprova em uma ou mais tem "uma segunda e última oportunidade" (item 2.14.4). Nova reprovação elimina. Não há nota; é passa ou não passa.

Quatro barras completas é o item que mais assusta quem vem de escritório e menos assusta quem vem do convés. Dezoito meses são suficientes para qualquer pessoa saudável chegar lá, desde que comece antes do edital.

3ª etapa: a prova de títulos

É a única etapa que só soma. O item 2.15.1 diz o que ela mede: "as comprovadas qualificação e experiência profissionais do candidato no exercício da atividade marítima considerada pela DPC como diferencial para a prestação do Serviço de Praticagem". O item 2.15.2 dá exemplos do que pode pontuar:

  • tempo de embarque efetivo, comando de embarcação e/ou prestação de serviços de praticagem;
  • número de dias de mar;
  • categoria, posto e graduação de aquaviários e militares da Marinha.

Quais títulos valem e quanto, "o Edital do Processo Seletivo estabelecerá" (item 2.15.3). No edital de 2012, a prova de títulos valia de zero a dez pontos (item 17.3 daquele edital). Se o próximo mantiver ordem de grandeza parecida, são dez pontos que o candidato traz de casa, antes de qualquer prova.

Isso muda o cálculo para quem é oficial de náutica: cada dia de mar registrado é ponto potencial. E muda para quem vem do amadorismo: a diferença de títulos precisa ser compensada na escrita e na prático-oral. Nenhum dos dois caminhos é impossível; eles só têm contas diferentes.

4ª etapa: a prova prático-oral

Só chega quem não foi eliminado na segunda etapa (item 2.16.1). A prova cobre o mesmo conteúdo programático do Anexo 2-A (item 2.16.2), é em inglês (item 2.16.3) e acontece "preferencialmente" no Centro de Simuladores do CIAGA, no Rio de Janeiro, podendo ser em outros simuladores, a bordo ou em outras instalações (item 2.16.4). A nota mínima para não ser eliminado fica para o edital (item 2.16.5).

No edital de 2012, o Anexo IV descreveu a prova em três partes: até 50 minutos para planejar uma faina de praticagem com rebocadores, com passage planning, numa sala com cartas e publicações; até 15 minutos de exposição oral do plano ao "comandante"; e até 30 minutos executando parte da faina no simulador de passadiço. Valia 20 pontos, sem recurso contra o resultado. O cenário eram as cartas 1511, 1512 e 1515, ou seja, a Baía de Guanabara. Se o formato se repetir, é a única etapa em que você é avaliado fazendo o trabalho de prático, e não falando sobre ele. Ela tem um artigo só para ela.

Classificação final e o que ela decide

Terminadas as quatro etapas, a ordem final considera "os graus alcançados nas provas escrita, de títulos e prático-oral" (item 2.17.1), na forma que o edital dispuser. Essa ordem alimenta a distribuição pelas ZPs (item 2.18.1). Em ZPs onde não há como qualificar todos ao mesmo tempo, os selecionados podem ser divididos em grupos, também "em ordem decrescente da classificação final" (itens 2.18.2 e 2.18.3). Estar no segundo grupo significa esperar os do primeiro serem certificados como práticos antes de começar (item 2.20.2).

É por isso que "só passar" é meta insuficiente. Duas posições na lista podem ser a diferença entre a ZP que você escolheu e a que sobrou, ou entre começar a qualificação em 2028 e começar mais de um ano depois.

Um erro comum de planejamento

Preparar-se etapa por etapa, na ordem em que elas acontecem, é intuitivo e errado. O conteúdo da prova prático-oral é o mesmo da escrita (Anexo 2-A). O inglês da prático-oral é o mesmo que pode aparecer na escrita. As barras do teste físico não se aprendem em três meses. E os títulos, quando o edital sair, já estarão contados: não há como acumular dias de mar entre a publicação e a apresentação de documentos.

O plano que funciona começa do fim: o que a prova prático-oral vai exigir orienta como estudar manobra e navegação para a escrita; o teste físico entra na rotina desde agora; e os títulos são um dado, não uma variável.

Próximo passo

Se o seu ponto fraco é a última etapa, leia a prova prático-oral por dentro. Se é o começo, o artigo sobre o cronograma tentativo do PSCPP 2027 mostra quanto tempo você tem. E se quer discutir o seu caso específico, formação, tempo disponível e títulos que já tem, uma conversa com um prático resolve em uma hora o que semanas de fórum não resolvem.

Fontes primárias

Os documentos citados neste artigo, no texto oficial:


André Schumann Rosso é prático da ZP-12, aprovado no PSCPP de 2012, e Capitão de Fragata da reserva da Marinha do Brasil, especialista em Máquinas e Propulsão Naval e no uso de simuladores de manobra. Sócio-fundador e instrutor do Pilots Nest, ministra Manobra do Navio (Shiphandling), Reboque, RMN, PNA e Arte Naval.

Fontes: NORMAM-311/DPC, edição 2026, Capítulo 2 (itens 2.6 a 2.19); Edital PSCPP/2012 (itens 7 a 20 e Anexo IV), citado como referência histórica. Pesos, notas mínimas e número de convocados só serão conhecidos com o próximo edital. Revisado em 15/09/2026.

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