Conteúdo programático da prova escrita do PSCPP: o Anexo 2-A bloco a bloco
Os sete blocos do Anexo 2-A, o que a NORMAM-311 fixa sobre a prova escrita e uma ordem de estudo justificada para cada um deles.
Neste artigo (13 seções)
Já escrevemos sobre a bibliografia sugerida do Anexo 2-B, a lista de obras. Este artigo é sobre o outro anexo, o que define o que pode ser perguntado: o Anexo 2-A da NORMAM-311/DPC. São trinta páginas de tópicos em sete blocos, com uma diferença de densidade que o candidato precisa enxergar antes de montar o cronograma.
O que a norma fixa sobre a prova escrita
A prova escrita é a 1ª etapa, "eliminatória e classificatória" (item 2.6.1, alínea a). Sobre ela, o item 2.7 estabelece o seguinte:
- Sobre o que versa. "A prova escrita versará sobre os assuntos do conteúdo programático relacionados no anexo 2-A, os quais, no entanto, poderão ser acrescidos, alterados e/ou atualizados no Edital" (item 2.7.1).
- Inglês. Ela "poderá conter textos e/ou questões redigidos em português e/ou em inglês, considerando que o conhecimento da língua inglesa é imprescindível para a prestação do Serviço de Praticagem" (item 2.7.4). Quantas e em que blocos, a norma não diz.
- Os dois cortes. É eliminado quem obtiver "grau inferior à metade do valor atribuído à prova" e também quem tirar a metade ou mais "mas não se classificar entre o número de candidatos a serem convocados para a 2ª etapa" (item 2.7.6). Esse número e o desempate ficam para o edital (item 2.7.7), assim como o valor da prova (item 2.6.2). Na prática, a nota que importa é a da última convocação, não a metade.
Número de questões, formato, duração e distribuição por bloco não estão na norma. Historicamente, o Edital PSCPP/2012 trazia prova "objetiva (questões do tipo múltipla escolha, com cinco opções de resposta cada)" (item 8.2), grau de zero a 70 pontos (8.6), eliminação abaixo de 35 pontos ou fora dos 250 maiores graus (8.7) e quatro horas no Rio de Janeiro (8.8 e 8.9). Nada disso vincula a próxima edição: valem a NORMAM-311 em vigor na data da publicação e o novo edital, como diz a Nota de Divulgação 01 da DPC. No trecho do edital de 2012 que trata da prova escrita, o que está fixado é o grau, não o número de questões.
O mesmo Anexo 2-A rege a prova prático-oral (item 2.16.2), com a diferença de que lá o idioma é obrigatoriamente o inglês (item 2.16.3). A sequência completa está em as quatro etapas do PSCPP.
Os sete blocos e seus tamanhos reais
A coluna de itens principais conta os tópicos de primeiro nível e mostra o que os títulos escondem: blocos com poucos itens podem ser os mais profundos.
| Bloco | Título no Anexo 2-A | Itens principais | Módulos da grade Pilots Nest |
|---|---|---|---|
| I | Manobrabilidade do navio (ship manoeuverability) | 8 | 1 Resistência (16h), 2 Propulsão (16h), 3 Comportamento no Mar e Controlabilidade (24h) |
| II | Arte naval | 29 | 5 Arte Naval (20h), 6 Manobra de Navios I (20h), 7 Manobra de Navios II (20h), 8 Rebocadores (24h) |
| III | Navegação em águas restritas | 40 | 9 Navegação I (20h), 10 Navegação II (20h), 11 Navegação Eletrônica (20h) |
| IV | Legislação e regulamentação | 21 | 13 Legislação I (24h), 14 Legislação II (24h) |
| V | Meteorologia e oceanografia | 27 | 12 Meteorologia (20h) |
| VI | Comunicações | 4 | 15 Comunicações (12h), bônus Inglês Técnico Marítimo |
| VII | Conhecimentos gerais | 8 | 4 Planejamento Portuário (8h), 16 Conhecimentos Gerais (28h) |
Duas observações de leitura. No bloco II a numeração salta: não existem os itens 7, 9 e 13, e os tópicos vão de 1 a 32 com 29 entradas efetivas; a norma não explica a lacuna. No bloco I, os itens 1 a 4 e 5 a 8 tratam dos mesmos quatro temas: os primeiros são uma lista curta, os seguintes a versão desdobrada, com o item 8 indo de 8.1 a 8.18.
Bloco I: Manobrabilidade do navio
É engenharia naval aplicada, não marinharia. O anexo pede números de Reynolds, Froude, Weber, Euler e de cavitação (item 5.3.2), método ITTC-78 (5.9.2), coeficientes de dedução da força propulsiva e de esteira (6.7.2), ângulo de estolamento do leme (7.5), derivadas hidrodinâmicas (8.5.3), índices de Nomoto e modelo K-T (8.7.5 e 8.7.7), curvas espirais de Dieudonné e de Bech (8.6.9 e 8.6.10), ponto pivô (8.8.2), squat (8.11.6 e 8.12.4), manobra com lama fluida (8.11.7), interação na ultrapassagem (8.12.5), roll paramétrico e broaching (8.17), e fecha nos documentos de bordo: pilot card, wheelhouse poster e manoeuvring booklet (8.18).
Quem vem da marinha mercante conhece o comportamento, não a formulação: sabe que o navio cai para bombordo com máquinas a ré, e a prova pergunta por que, com coeficientes. É onde a experiência embarcada menos ajuda e o estudo formal mais rende. Quem tem hidrodinâmica na formação, vindo da engenharia naval ou da Armada, chega em vantagem e deve gastar o tempo economizado nos blocos II e IV. Na grade, Módulos 1, 2 e 3, 56 horas.
Bloco II: Arte naval
Apesar do nome, é o bloco do ofício do prático. Começa em marinharia clássica (governo de navios de um ou mais hélices e um ou dois lemes, trabalhos marinheiros, aparelho de fundear, estabilidade e arqueação) e termina em operação portuária avançada: manobras em baixas velocidades com as limitações de RPM mínima e CPP (item 20.2), amarrações especiais como running moor, mediterrânea e báltica (21.2.6), emergências portuárias (23), STS e SBM (24) e rebocadores com bollard pull, escort e efeitos de interação (26), incluindo os "métodos de utilização de rebocadores empregados no Brasil" (31). Há ainda um eixo sobre a interface prático e navio: a Regra V/23.3.3 do SOLAS (17) e o MPX (19).
Para o oficial de náutica é o bloco mais próximo da rotina e o mais traiçoeiro, porque ele viveu tudo isso do lado de quem recebe a manobra, não de quem a decide. Rebocador é o exemplo: o oficial sabe onde amarrar o cabo, e a prova quer saber quantos, de que tipo e com que tração estática. Para quem vem de outra formação, é o mais caro em horas, porque exige vocabulário de bordo. Na grade, Módulos 5 a 8, 84 horas, a maior fatia do curso.
Bloco III: Navegação em águas restritas
O maior em número de tópicos: 40 itens, muitos com dezenas de subitens. Instrumentos e cinemática naval, carta náutica em papel e digital, marés e correntes, linhas de posição de segurança (24), radar e ARPA (25 e 30), AIS, ECDIS, TSS e VTS (33), procedimentos em águas de praticagem, incluindo o fenômeno do "navio beijar a boia" (34.2.6), gerenciamento da equipe de passadiço (36 e 38) e o RIPEAM completo (39).
Aqui o oficial de náutica larga muito à frente: passage planning, BRM, radar e ECDIS são rotina de quarto de serviço. O risco é esse, porque a familiaridade convida a pular o bloco com mais itens e, provavelmente, mais questões. Para quem não vem de passadiço, é o que exige mais tempo de todos. Na grade, Módulos 9, 10 e 11, 60 horas.
Bloco IV: Legislação e regulamentação
Vinte e um itens em pouco mais de uma página, quase sem subitens, o que engana: cada linha é uma norma inteira. LESTA e RLESTA, a lei do Tribunal Marítimo e os inquéritos administrativos, regras especiais de abalroamento em águas jurisdicionais brasileiras, tráfego e permanência de embarcações, Serviço de Praticagem no Brasil, cerimonial da Marinha Mercante, estrutura da Autoridade Marítima, SAR, VTS, registro de propriedade marítima, REB, o artigo 17 da Lei das Forças Armadas, a Lei dos Portos (12.815/2013) nos capítulos I, IV e VIII, e as recomendações IMO sobre práticos que não de alto-mar (item 21).
É o bloco que iguala todo mundo por baixo: o oficial de longo curso domina SOLAS, COLREG e STCW e conhece mal a arquitetura normativa brasileira. Não há como resumir uma NORMAM sem lê-la, e por isso ele ocupa 48 horas, nos Módulos 13 e 14.
Bloco V: Meteorologia e oceanografia
Vinte e sete itens que vão do básico ao avançado sem transição. A primeira metade é meteorologia para navegantes: pressão, ventos, nevoeiros, nuvens, massas de ar e frentes, sistemas tropicais e sinóticos, imagens de satélite, Boletim Meteoromarinha, cartas piloto. A segunda sobe de patamar: o item 23, "Teoria das ondas aplicadas à oceanografia", pede potencial de velocidades, relação de dispersão, velocidade de grupo e teoria não linear, e os itens 24 a 27 tratam de informação hidrometeorológica em vias de acesso portuário.
É o bloco mais desequilibrado do anexo: a parte inicial é revisão para qualquer aquaviário, a final é oceanografia física, e quem vem da marinha mercante costuma parar no meio do caminho. Na grade, o Módulo 12 (20h).
Bloco VI: Comunicações
Quatro itens: as Standard Marine Communication Phrases da IMO, com glossário e partes A e B (1); radiocomunicações marítimas (2); Código Internacional de Sinais (3); e GMDSS (4).
É o bloco de menor volume e maior retorno por hora, e o único que não se resolve lendo: SMCP se treina em voz alta, porque volta na prova prático-oral inteiramente em inglês. Na grade, 12 horas no Módulo 15, mais o bônus de Inglês Técnico Marítimo.
Bloco VII: Conhecimentos gerais
Oito itens que, na prática, são quatro assuntos. Planejamento portuário com diretrizes IMO e PIANC, projeto de vias de acesso, análise de risco e simulação de navios (itens 1 a 3), mais a folga dinâmica abaixo da quilha no Brasil (4). Fatores humanos, com fadiga, gestão de emoções e de pressão na manobra (5). Meio ambiente (6), economia marítima e Amazônia Azul (7), e direito processual marítimo (8).
Nenhum candidato chega pronto aqui: é conteúdo de gestão portuária e de economia, não de bordo. Na grade, 36 horas nos Módulos 4 e 16.
Uma ordem de estudo, e por que essa
Sugestão, não regra, com três critérios: o que demora a amadurecer vai primeiro, o que é memorização vai por último, e o que reaparece na prático-oral atravessa o período inteiro.
- Bloco I primeiro. É o único que exige base conceitual nova, e ela sustenta os blocos II e V. Hidrodinâmica não se decora em três meses.
- Bloco II em paralelo, do início ao fim. É o maior em horas, o que mais se beneficia de repetição e o núcleo da prova prático-oral.
- Bloco VII na metade do percurso. Largura de canal e folga abaixo da quilha só fazem sentido depois do bloco I: são consequência de manobrabilidade.
- Bloco V depois do I. A teoria de ondas do item 23 fica muito mais barata depois de hidrodinâmica.
- Bloco III como revisão dirigida. Para o oficial embarcado, resolve-se com questões; para os demais, começa junto com o bloco I.
- Bloco IV por último, mas não no fim. Legislação envelhece e o edital pode atualizar a lista. O ponto ótimo costuma ser logo depois da publicação do edital.
- Bloco VI todos os dias, quinze minutos. SMCP é hábito, não matéria.
Se o cronograma tentativo da Nota de Divulgação 01 se confirmar, com prova escrita prevista para novembro de 2027 e edital por volta de julho do mesmo ano, quem esperar o edital para começar terá cerca de quatro meses. Dá para o bloco IV, e mais nada.
O que o edital ainda pode mudar
As observações finais do Anexo 2-A precisam ser lidas literalmente: o conteúdo programático "possui o fim de servir como referência básica", "o Edital do Processo Seletivo a que se referir definirá expressamente todo o Conteúdo Programático do respectivo certame" e "os tópicos citados neste anexo não esgotam os assuntos que poderão ser abordados". Somadas ao item 2.7.1, significam que o anexo é piso, não teto. Quem estuda exatamente a lista e nada além está preparado para o cenário mais favorável.
Próximo passo
Para ver esses sete blocos virarem calendário, a grade de 320 horas do Pilots Nest é esse mapeamento, com 17 módulos na proporção em que os blocos aparecem no anexo, em duas modalidades: presencial em Salvador e telepresencial ao vivo, esta para quem está em escala de embarque. Se você é oficial de náutica, comece por o que muda na sua preparação.
Fontes primárias
Os documentos citados neste artigo, no texto oficial:
- NORMAM-311/DPC, ed. 2026, Cap. 2, itens 2.6.1, 2.6.2, 2.7.1 a 2.7.8, 2.16.2 e Anexo 2-A (Conteúdo Programático)
- Edital PSCPP/2012, DPC, itens 8.1 a 8.9 e Anexo III
- Nota de Divulgação 01, DPC, 27/04/2026
Jean Félix é prático da ZP-12, aprovado no PSCPP de 2011, e Capitão de Fragata da reserva da Marinha do Brasil, doutor em Modelagem Oceanográfica e especialista em Hidrografia. Sócio-fundador e instrutor do Pilots Nest, ministra Manobra do Navio (Shiphandling), Navegação, Meteorologia e Legislação.
Fontes: NORMAM-311/DPC, edição 2026, itens 2.6.1, 2.6.2, 2.7.1 a 2.7.8 e 2.16.2, e Anexo 2-A (Conteúdo Programático) com suas observações finais; Edital PSCPP/2012, itens 8.1 a 8.9; Nota de Divulgação 01 da DPC (27/04/2026). O conteúdo programático pode ser acrescido, alterado ou atualizado pelo edital, e o cronograma é tentativo. Revisado em 15/09/2026.